quarta-feira, 8 de junho de 2011

O lado maquiavélico do Feijão

Na época em que Marineusa trabalhou para gente na Varanda, às vezes ela levava um de seus filhos, quando não tinha com quem deixá-los

João Guilherme era seu filho do meio. Deveria ter uns 5 anos de idade, mas por ter problemas de dicção e pela sua baixa estatura, aparentava uns três.

Tinha também a Aline, a filha mais velha, e a caçula, que infelizmente não me lembro o nome. Mas lembro do Clovis numa manhã de inverno, apelidá-la de "Mestre dos Magos", por ser pequena e estar coberta com um manto vermelho.

João Guilherme gostava de ir em casa, pois dávamos total liberdade. E no fundo, nós também gostávamos, pois podíamos fazer criancices, com a desculpa de estarmos brincando com um garotinho.

Mas às vezes acho que exagerávamos. Um dia o pobre coitado estava endiabrado. Feijão e eu tínhamos que estudar, e o moleque não parava de bater bola. Foi quando conheci o lado maquiavélico do Feijão.

Com a ajuda do Guido e do Rogério, Feijão inventou uma estória, de que se não parasse de bater a bola, chamaria o dono da casa. Mas João Gulherme não deu muita importância, e continuou batendo sua bola.

Então o Feijão encontrou um lascado no piso da sala, e imediatamente exclamou: "João Guilherme, veja o que você fez no chão!" Pegou o telefone e fez que ligava para o Dono da Casa...

" - Dono da Casa! O João Guilherme quebrou o piso da sala... é pra chamar a polícia?".

E nisso, o Guido foi até o orelhão da esquina, ligou em casa, fingindo que era a polícia.

Quando soou o telefone, Feijão deixou que o menino atendesse. Ao escutar a voz do "oficial", ele ficou mudo.

Alguns segundos depois, o Rogério tocou a campainha, gritando - "é aqui que está o João Guilherme? aqui é a polícia, e viemos prender você!".

O garotinho entrou em desespero. Enfiou-se de baixo da mesa, sobre a proteção da mãe, e chorou desesperadamente...

Ele parou de bater bola, mas confesso que preferia escutar o bater da bola, do que aquele choro incoercível.

Dois dias depois, Marineusa teve um surto esquizofrênico, achando-se perseguida pela polícia e por traficantes.

A última notícia que tive dela, foi que já era avó, mas não sei de qual dos filhos, e que tentava aposentadoria.

Pensando bem, depois de tudo que ela passou, talvez a aposentadoria fosse um descanso merecido! Mas antes disso, desejo que, Aline, João Guilherme e a "Mestre dos Magos", tenham se tornado cidadãos de bem!

Nenhum comentário:

Postar um comentário